quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Caros colegas,

A Comissão da Proposta do Projeto Político Didático-Pedagógico da Reforma Curricular do Curso de Ciências Econômicas da UFSC encerrou seus trabalhos. O resultado, após muitas discussões e contatos com professores da Economia, Pedagogia, Sociologia, Administração, etc., pode ser conferido nas linhas abaixo. O próximo passo é a ASSEMBLÉIA ESTUDANTIL DA ECONOMIA, NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA (09/09/08), ÀS 18H, NA SALA 110 (SALA DA 2ª FASE). Lá estabeleceremos a estratégia para discussões em sala de aula, plenárias com os professores, etc.

Leia o projeto, anote suas críticas, leve-as para Assembléia e discuta com seus colegas!

Boa leitura!
PROPOSTA DE PROJETO POLÍTICO DIDÁTICO PEDAGÓGICO DOS ESTUDANTES DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS DA UFSC


1. Introdução

2. Finalidades do Projeto Político Didático Pedagógico

2.1 Resgate Histórico sobre a profissão e os princípios gerais do PPDP
2.2 Finalidades do Curso
2.3 Outras finalidades do Curso

3. Conteúdo e Grade Curricular

3.1 Conteúdo Curricular
3.2 Grade Curricular
3.2.1Métodos de Avaliação

Anexo I – Concepções Pedagógicas

Anexo II – Saídas a Campo

Anexo IV – Concepções Didático-Pedagógicas

Anexo V - Ementas das Disciplinas
I – INTRODUÇÃO

"Os programas universitários deverão ser integrados com os projetos estatais de planejamento e implantação de uma economia autônoma, de ampliação da participação social, e de preparação de corpos de administradores, gestores, planificadores, cooperativistas, contabilistas, economistas, no número e nas modalidades requeridas capazes de dar efetividade aos novos rumos da política econômica e social" (Darcy Ribeiro)


A preocupação central deste Projeto Político Didático Pedagógico (PPDP) é incrementar substancialmente as práticas político-didático-pedagógicas de ensino e melhorias acadêmicas do curso de bacharelado em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina. Se assim definida, esta proposta busca superar as limitações do currículo vigente, cúmplice de um estudo altamente descolado daquilo que se espera de uma Universidade.

Na qualidade de instrumento, este projeto assevera sua natureza construtiva delineando duas esferas primordiais de operacionalização: 1) O sistema inovador de Avaliação Modular como resposta às deficiências no ensino baseado em disciplinas isoladas e avaliações fragmentadas, sendo um instrumento pedagógico ancorado nos preceitos de flexibilização e pluralismo metodológico; 2) Como proposta política, coloca-se a busca de uma nova interatividade entre professores, alunos e a comunidade nos mais diversos setores do convívio social e de pesquisa científica. Esta inserção do acadêmico gesta um novo modelo pedagógico que permite ao estudante aferir os anseios da sociedade.

Para tanto, a atual proposta do Projeto Político Didático Pedagógico (PPDP) apresenta, além dessa introdução, mais três seções: uma destinada a delinear a linha política sob a qual o curso se edifica; outra mostrando a grade curricular e o currículo de ensino; por último se apresenta os anexos, com os detalhamentos de cada proposta.

Nesta introdução, torna-se necessário salientar as bases que fundamentam este Projeto, a saber:

O Parecer CNE-CES95-2007 que instituiu a nova Resolução para os Cursos de Graduação em Ciências Econômicas, em substituição a Resolução CNE/CES n.º7 de 29 de março de 2006, e delineia os parâmetros de todos os cursos de Ciências Econômicas do país. Nele constam aspectos que vão desde os conteúdos curriculares até o sistema de avaliação, numa sintonia que estabelecerá ao fim de todo o processo o perfil do estudante egresso como um profissional de formação generalista, humanística, crítica e reflexiva.
2. FINALIDADES DO PROJETO POLÍTICO DIDÁTICO PEDAGÓGICO DO CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS: UM CURSO ABERTO A COMPREENSÃO E ATUAÇÃO SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA.

2.1 Resgate Histórico sobre a profissão e os princípios gerais do PPDP

Historicamente, a função do economista é realizar a ligação entre o ambiente de atuação e as transformações e tendências da economia brasileira/mundial. No passado, o bacharel em economia gozava de grande prestígio tanto no meio público – coordenando órgãos governamentais, realizando planejamento econômico em secretarias federais – como no setor privado – através de consultorias, administração e projetos, associando as necessidades da empresa às transformações da economia brasileira.

Era imperativo que a graduação do economista se realizasse atendendo ao estudo da formação da economia brasileira e dos seus impasses. Para tanto, um rico mapeamento das condições nacionais requeria um estudo plural e eqüitativo das principais escolas de interpretação, aliando estudos teóricos às intervenções práticas e embasadas.

Com a ascensão do pensamento único nos anos 90, o ensino de economia passou por uma crise curricular. A crença no desempenho autoregulado do mercado tanto na esfera privada quanto na pública deslocou o principal locus de atuação do economista: o planejamento e percepção conjuntural. Os cursos de economia se adequaram às transformações da economia mundial de uma maneira conservadora, limitando o conteúdo próprio da teoria econômica e especializando as graduações de economia em áreas como administração, contabilidade e engenharia. A Associação Nacional de Graduação em Economia esclarece esse período:

‘’Durante a crise da profissão nos anos 90, muitos economistas chegaram a pensar que o melhor que se poderia fazer era se transformarem em administradores de empresas, ou mesmo contadores. Outro grupo dirigiu-se para as engenharias, tentando transformar a ciência econômica em ciência exata, como forma de conquistar alguma credibilidade ‘’científica’’, muitas vezes afastando-a de sua condição de ciência social e política (e por vezes da própria realidade concreta), esquecendo-se justamente daquilo que a Ciência Econômica possui de diferencial, do que lhe dá corpo e a torna uma ciência específica.
Assim é chegada a hora de recuperar o que a Economia enquanto ciência e enquanto profissão tem de especifico, rico e útil para a sociedade. Talvez seja a única forma de recuperar seu papel e, dessa forma, mostrar à sociedade e aos alunos sua importância.’’(ANGE, 2006. p. 06)

Recuperar o prestígio e o diferencial da profissão requer um estudo profundo sobre a realidade brasileira. Dessa forma, o economista estará capacitado a desenvolver sua habilidade peculiar: a capacidade de intervenção no processo de tomada de decisão. O curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina, através deste Projeto Político Pedagógico, apresenta como linha política o ensino voltado à compreensão e atuação sobre a realidade brasileira.

Dito isto, o curso de Ciências Econômicas da UFSC persegue as seguintes finalidades: i) Formação geral e básica de economistas de acordo com o perfil do curso; ii) o comprometimento institucional com as exigências de intervenção sobre o contexto nacional, através de práticas de pesquisa científica e da extensão, elementos fundamentais para a real compreensão do sentido de Formação Universitária.
Os seguintes princípios norteiam o Projeto Político pedagógico:

1) Visão humanística aliada ao conhecimento científico que possibilite a compreensão dos fenômenos sociais, bem como a sua interdependência com os fenômenos econômicos.

2) Visão pluralista e eqüitativa das escolas de pensamento

3) Comprometimento com a realidade nacional e promoção do desenvolvimento econômico.

4) Conhecimento científico para atuar tanto no Setor Público como no Setor Privado, através: disciplinas de formação teórica; disciplinas técnicas quantitativas aplicadas à Economia; disciplinas auxiliares.

5) Interdisciplinaridade. Dado o perfil do curso e os inúmeros pontos a serem estudados, deve se inserir à análise econômica a visão de outras ciências sociais, enriquecendo o debate e aprofundando questões específicas .

2.2 Finalidades do Curso

O curso de ciências econômicas propicia aos seus alunos, através das disciplinas ministradas: i) uma formação orientada no conhecimento científico das teorias econômicas; ii) habilidades quantitativas e qualitativas empíricas; iii) interpretação e projeção de fenômenos econômicos; iv) resgate histórico do pensamento econômico e da economia brasileira.

Aliadas a uma base cultural e interdisciplinar, estas características possibilitam uma rica compreensão acerca da realidade brasileira e capacitam o formando na tomada de decisões e soluções frente aos problemas.

2.3 Perfil do Formando

Como aspectos específicos do formando, espera-se: i) Compreensão de questões científicas, técnicas, sociais e políticas relacionadas com a ciência econômica; ii) Consciência social frente às mudanças da sociedade brasileira; iii) domínios técnicos relacionados à formação teórico-quantitativa e teórico prático; iv) visão histórica do pensamento econômico aplicado à realidade brasileira; v) habilidade e efetiva comunicação oral e escrita.
2.3 Outras finalidades do Curso

Além do perfil do formando, o curso de ciências econômicas deve apontar outras finalidades complementares ao ensino de graduação. Atividades de pesquisa e extensão garantem uma formação complementar e integral aos estudantes, além de permitir uma atuação orientada em práticas políticas e sociais. O curso de ciências econômicas institucionalmente deve:

a) Garantir o acesso dos graduandos em projetos de pesquisas sócio-econômicas. Em temas como: Economia Industrial, Mercado de Trabalho, Economia da América Latina, Economia Monetária Internacional, Economia Solidária, Economia Catarinense e outras temáticas oportunas e ligadas a economia brasileira.

b) Promover debates e discussões sobre os problemas econômicos brasileiros e locais, interagindo com outras instituições sociais, sindicatos de trabalhadores e patronais, movimentos sociais e organizações não-governamentais. Eventos marcados pela integração chefia do departamento, corpo docente e estudantes.

c) Desenvolver o acompanhamento conjuntural, mediante informativo analítico mensal que possibilite o espaço de estudantes e professores expressarem seus pontos de vista a acerca da economia brasileira.

d) Disponibilizar como extensão, Cursos Livres, Seminários Temáticos, Grupos temáticos e Laboratórios de Pesquisa.

e) Por meio de uma comissão de assuntos pedagógicos, revisar constantemente o ensino dado em sala de aula, ouvindo reclamações e sugestões. Divulgar publicamente a avaliação dos professores e as medidas a serem tomadas dados os seus resultados.

f) Promover saídas a campo integradas à estrutura curricular, organizadas pelo Departamento do curso de Ciências Econômicas.

g) Elaborar um sítio na internet que contenha as principais informações divulgadas na imprensa especializada relacionadas à temática do curso de ciências econômicas,

h) Fornecer um curso de metodologia e práticas pedagógicas para os professores que necessitam. O curso permite aos professores: 1) um recurso para reverem seus métodos de ensino; 2) espaço para reflexão e preparação tendo em vista as novas atividades promovidas pelo PPDP.
3. CONTEÚDO E GRADE CURRICULAR

3.1 Conteúdo Curricular

O Curso deverá apresentar disciplinas e respectivos conteúdos programáticos voltados ao desenvolvimento das habilidades acima descritas, de maneira a conduzir o graduado em Ciências Econômicas ao perfil desejado. Atualmente essas disciplinas estão agrupadas em blocos, em conformidade com a Res. 95/2007 da Câmara de Educação Superior.

O conteúdo curricular é o instrumento mais efetivo para uma aproximação da linha política de um PPDP. As disciplinas, seu conteúdo e a disposição foram propostas para que graduação seja realizada minimizando as fricções entre as disciplinas, ao mesmo tempo em que procura um estudo plural e eqüitativo entre as escolas de pensamento. Seguindo a classificação da ANGE, as disciplinas estão dispostas em três grandes categorias: 1) Matérias de Formação Geral; 2) Matérias de Formação Teórico-Quantitativa; 3) Formação Histórica; e 4) Metodológicas.
As matérias assinaladas por um asterisco correspondem a uma inovação trazida a esse novo currículo: são chamadas de Optativas Fixas. Estas buscam complementar e aprofundar o estudo obtido das disciplinas obrigatórias e foram dispostas em dois grupos: o primeiro composto por: Economia regional e Urbana, Economia Industrial, Economia Agrícola e Política e Planejamento Econômico; e o segundo composto pelas disciplinas Análise e Elaboração de Projetos, Mercado de Capitais, Economia de Empresas e Análise de investimentos. No item 3.2 detalharemos melhor o esquema e a posição dessas matérias na nova Grade Curricular.

Antes de apresentar as matérias, ressalta-se que a busca por disciplinas integradas e dinâmicas somente pode ser atingida quando as ementas destas disciplinas forem seguidas por completo. As ementas garantem que, independente das circunstâncias sob as quais a disciplina será ministrada, o conteúdo e a integração das disciplinas serão mantidos. Segue no Anexo I as ementas das disciplinas. A proposta de ementa se encontra no Anexo V.